sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Das séries..






Por agora, estou nestas três e é isto:

- O Derek é uma personagem com a qual não simpatizo desde sempre e estes primeiros episódios (da 8ª temporada) não prometem diferenças em relação a isso. A Meredith, por seu lado, tendo quase sempre me passado indiferente, está uma personagem melhor a meu ver. E a Cristina é a melhor (sem esquecer o seu Owen)!

- O Dexter é das melhores personagens já escritas e construidas (como perfil psicológico é fantástico). Adoro a série, é das poucas que segui sem interrupções. Acho-a brilhante. Estou curiosa para esta 6ª temporada pois isto é o tipo de série onde parece que já vimos tudo. Mas é claro que não. Aguardam-se ansiosamente os desenvolvimentos.

- Parenthood é uma série fofinha, fofinha que só ela. Rio-me muito, comovo-me e divirto-me. Faz o meu estilo, pelas personagens mas também pela temática. É uma série mais real, mais próxima (em geral) do que é também a nossa vida. Ainda só vai na 3ª temporada, ainda me resta muito entretenimento e isso é que se quer.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Caruso





Quando eu tinha para aí 12 ou 13 anos, comprei um cd desta senhora. Ela cantava uma musica numa novela de largo sucesso na altura e chegava a Portugal pela primeira vez, acho. Ouvir algo assim com essa idade já diz muito da miúda que eu era, acredito. E da pessoa que sou hoje. E diz, essencialmente, o quão variada eu sou nas minhas escolhas e tão sem critério. A técnica de cantar fascina-me, as grandes vozes naturalmente mas também oiço músicos que não cantam assim tão bem, musicas que não são nenhum espectáculo mas, por alguma razão, me atraem e me dizem muito. Sou mais pelas emoções e há grandes vozes que, simplesmente, não me fazem pô-las no mp3 (aqui também se vê claramente a minha distância para com as tecnologias mas isso não é para agora) embora lhes reconheça o talento e as oiça com satisfação. Mas eu só levo comigo o que me faz sentir, o resto fica de fora para outros momentos. Voltando à Lara, eu ficava fascinada naquela altura com a forma como ela cantava, a intensidade e a qualidade da voz. Um dia até, a propósito de uma composição sobre uma cantora à minha escolha que teria que fazer para um teste de Francês (uma verdadeira desgraça portanto), pesquisei sobre ela, meti a composição no dicionário e assim a copiei para o teste. Fiquei-lhe com admiração e interesse e aquele cd fez-me companhia em momentos tristes que naquele ano se multiplicaram.
aqui coloquei um vídeo dela há uns anos mas não lhe segui o rasto, não lhe segui a carreira e ela foi-se perdendo na minha memória, se calhar porque me trazia esses momentos tristes. No entanto, há uns dias voltei a cruzar-me com este vídeo dela mais recente, a cantar aquela que é para mim a melhor versão deste Caruso (a dela, independentemente do video). E confirmei agora, passados mais de 10 anos, que ela é provavelmente senão a melhor, das melhores cantoras de sempre. Para mim está nesse lote porque tem das técnicas e vozes mais bonitas e poderosas que eu já ouvi. E eu até oiço várias cantoras, mais antigas e mais novas. Tem aquela classe que eu aprecio em qualquer mulher (e que só é realmente fascinante numa mulher) e lembra-me aqui e ali a Barbra Streisand, outra senhora de quem eu também gosto muito. E, mesmo quando manda a voz para sítios que simplesmente desconheço na minha voz, não soa a estridente e gritaria da pesada (coisa que me irrita em muito boas cantoras porque sou pela contenção a menos que se saiba mesmo fazer aquilo).
Talvez não me tivesse lembrado dela mais cedo, para além do meu natural desprendimento e disperso interesse por várias coisas, porque ela é muito mais conhecida na Europa e não nos chega com o peso que chegam os cantores vindos dos EUA. Mas é um talento e uma mistura de sangue francês, italiano e que ainda arranha o português. E cuja mãe lhe deu, curiosamente, quando ela quis ouvir grandes cantoras, Amália Rodrigues para ouvir entre as muitas outras.
Agora já não sinto os meus momentos tristes na voz dela mas sabe bem ouvir algo tão bom.





quinta-feira, 1 de setembro de 2011


Somos tão efémeros, meu amor. Voláteis, neste mundo de calores desumanos. Cabemos tão pouco dentro dos sonhos e ambições. Desaparecemos mesmo estando sempre cá, adormecidos pelo esquecimento inerente à lembrança. Tão efémeros, meu amor. Um dia escritos em cada muro das ruas da cidade, no outro papel que amarelece no fundo da gaveta. O mundo e as pequenas vidas agitam-se em corpos sem fogo, nos segundos que fingimos dar uns aos outros. Somos tão efémeros que os contornos que vemos hoje, que atraiem, incitam, que nos fazem querer mais e mais, são amanhã pedaços que parecem nunca ter sido.


19/08/2007
*Tenho saudades de escrever assim, livremente. Numa aula, numa viagem de comboio. Escrever sobre outros como se fosse eu. Deixar a imaginação tomar conta. Está na hora de recomeçar.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Adoro ler este blogue. A escrita é maravilhosa, sensata, inteligente. Francamente.
Há uns posts atrás, a autora, dizia algo como não ter tido filhos para ser feliz (porque o era antes disso) mas para assistir à felicidade deles. E há muito tempo que nada me tocava tanto. É raro alguém dizer isto, muito menos escrevê-lo mas é algo que me faz todo o sentido. E pegando nesta ideia, vejo-a ir de encontro a uma minha de há muito tempo. Não terei filhos enquanto não me sentir feliz comigo. Não com a vida, o emprego, a carreira, a familia, pai, mãe e irmãos, conta no banco. Mas apenas e só enquanto não me sentir feliz com quem sou e suficientemente capaz de me amar. Caso contrário, provavelmente os meus filhos far-me-ão mais infeliz e, quase de certeza, eu a eles.
No meio de tantas dúvidas e dores, fico contente por esta lucidez e não desejar fazer de um filho meu um meio para a minha felicidade. Não quero um prolongamento egóico meu, uma tentativa do que não fui nem segurá-lo junto de mim para me sentir gostada. Ter um filho que nos ame deve ser a consequência, penso eu, e não o principio.

quinta-feira, 28 de julho de 2011


Este é um dos meus livros preferidos, no qual me deu um prazer imenso mergulhar. Confesso que não me considero muito entendida em literatura, não distingo com clareza, e imparcialmente,  o que faz um grande livro ou não. Já li muito, suponho que algumas coisas muito boas, outras uma grande treta mas isso não me atormenta. Já li grandes tretas que muito me entreteram, me fizeram sonhar, desejar. Já li belissimos livros que, mesmo reconhecendo-lhe o brilhantismo, não me fizeram nada dessas coisas. Por exemplo, leio José Luis Peixoto e reconheço-lhe a elegância na escrita (a meu ver), como faz aquilo bem mas tenho tendência a sentir-me deprimida com aquilo e não acabo. E quem diz este diz outros. Se calhar falta-me qualquer coisa e admito que sinto que sim, embora saiba que jogam aqui traços únicos meus que me inclinam mais para umas coisas que outras. Mas isto, para dizer, que eu não me armo em conselheira de livros a ninguém (apenas e só se me pedirem opinião) porque sei que, provavelmente, falharei redondamente. E porque leio, muitas vezes, livros pouco comercializados, de autores vagamente conhecidos.
Acontece que este livro, comprado numa promoção de dois a 15 euros (uma pechincha convenhamos!), vinha atrelado a um outro da mesma autora, o seu segundo. Não lhe liguei durante meses, coisa que também é frequente acontecer comigo, até ao dia em que lhe resolvi pegar por não ter mais nenhum para me acompanhar nas viagens até à faculdade. E, normalmente, os livros de que mais gostei tiveram sempre este percurso. Depressa se tornou a minha companhia preferida, o meu vicio, uma viagem a um mundo de sabores, cheiros, fantasia, amor, ódio, a vida exposta sem pensos rápidos. Personagens ricas, vivas, que podiam existir em qualquer parte do mundo. Num mundo tão longe do nosso, noutro país, noutra cultura, uma familia vista pelas gerações dentro e a certeza de que poucos livros me levaram tão longe. Sei que o que amo na vida, a profissão que escolhi e o fascinio pelo lado oriente do mundo me fizeram amar este livro mais do que amaria noutras circunstâncias.
Este é o primeiro livro dela, tem mais dois que também já li (o mais recente, prenda da amiga Silvia. Gracias!). Gostei de ambos, não me desiludiram. Mas este é a minha paixão. Maravilhoso!

Quando leio, também oiço musica (não perguntem). São a minha companhia nas viagens de comboio, um livro e a musica nos ouvidos. É um costume antigo, ponho banda sonora em muitos dos livros que leio. E enquanto lia este, os Journey com o seu renovado vocalista eram a minha companhia. Com isto, por exemplo.

*- um dia falo sobre o meu fascinio por pessoas de olhos rasgados e seus países - Filipinas, Malásia, Tailândia, China, Japão, etc. É um caso sério. Um dia.

domingo, 17 de julho de 2011

Nunca consegui escrever sobre ti. Para ti, já muito, embora francamente mal. Agora sobre ti, é muito dificil. Talvez o amor que te tenho não me deixe fazê-lo com a distância devida. Quando penso em ti, estás muito além de qualquer pessoa que conheço e de quem até possa gostar. És com quem me descobri, a quem me dei sem reservas e sem saberes, és quem me permite ser quem sou. O bonito em ti é que nada disto te parece dificil. Tens o coração no lugar, cuidas e amas com a naturalidade de quem foi amado e abraçado na vida. Sei que é também isso que me faz gostar de ti, sempre foi. Essa amabilidade, essa certeza do que se deseja, sem medo de o dizer e, mais ainda, de o procurar. Foram as diferenças que me fizeram gostar de ti e essa tua avassaladora vontade de me teres. Podes pensar até que foram as semelhanças, que temos às milhares, que me fizeram olhar para ti e deixar-te (me) ficar. Mas temo que não seja verdade porque o que eu amei em ti primeiro foi o desconhecido, aquilo que eu nunca tinha visto ou sentido, foi tudo aquilo que eras e és e que eu sonhei um dia ser. E depois, como que para ajudar, éramos do mais parecido que há. Mas tu conhecias um lado dos afectos que eu não fazia ideia existir e não fugiste com os meus medos, as minhas duvidas e recuos. Quiseste-me, foste buscar-me e nunca mais me largaste. 
Esses primeiros tempos já lá vão, faz tempo. Passámos pelo cabo das tormentas, caímos, um de cada vez, mas de alguma maneira ainda aqui estamos. Lutámos muito, por cada um de nós e depois pelo que erámos. Lutámos bem mais do que se espera de alguém da nossa idade. E aqui estamos. Tu, agora, homem feito e eu, a caminho de pessoa mais completa. Mudámos muito mas estamos mais perto do que nunca. Tu com essa maneira de ser, tão especial e única que torna os teus defeitos muito fáceis de tolerar, e eu complicada, intensa, com a cabeça sem sossego. Mas irremediavelmente apaixonada por ti. E olho para ti sabendo o grande homem que és, além da pessoa que sempre serás, e o orgulho que tenho por ter-te na minha vida.
Sei que um dia, quando olhar para trás, este será o grande orgulho da minha vida. Ter-te guardado, mantido, cuidado de ti e do teu amor que tanto fez por mim. Sei que esse é já o grande feito da minha vida, faça eu o que fizer com ela, tenha filhos ou não, seja a profissional que quero ser ou não. O teu amor foi e é a minha sorte, aconteça o que acontecer.
E  um dia, sentar-me-ei no alpendre que tanto quero, contigo e terei a certeza de que valeu tudo a pena. E quando formos àquele concerto da Adele, de mãos dadas e eu a chorar que já sabes como eu sou. E a saber que nada disso te incomoda. Porque és a vida que nem sempre tenho, és a manifestação do que eu sou por dentro. Porque somos irrepetiveis..e eu te amo mais do que podes saber.

terça-feira, 12 de julho de 2011


"Lembro-me como se fosse hoje. O cheiro a jasmim pela casa despertando no meu quarto até acabar ao pé de ti. Como se fosse hoje. Nas paredes os quadros pintados por nós, no canto a lareira quieta que acolhia o fogo  nas noites longas e frias. Depois, escondiam-se as mantas para bem longe e abriam-se as portas para deixar a luz entrar. Lembro-me como se fosse hoje. Do teu colo, de correr à tua volta a chamar uma atenção que nunca faltava. Saltava da cama direita para a tua, encostava a cabeça ao teu peito e voltava a adormecer com a vontade de tudo outra vez. O mundo das cores e dos sabores, novinho em folha inventado por ti, embrulhado em folha de papel de seda da cor dos meus olhos, com o som da tua voz. O alpendre está como sempre, florido e encantado, soalheiro como uma tarde de sesta que se espreguiça pelo corpo todo e não parece querer sair mais. Sempre me senti pequena demais aqui, como se enchesses tudo à volta, sempre tive a sensação de que sou sempre menor do que o meu tamanho real. Só por me sentar aqui. E lembro-me como se fosse hoje. Tu a saires pela porta, bandeja na mão, açúcar no sorriso. A brisa da manhã a bater-nos na cara, eu a esconder o meu olhar de encanto por ti. Tinhas essa maneira simples de fazer tudo, com a facilidade de quem já nasce assim.
Tropeçaste de ternura por mim. Mãe do coração que segura de todas as formas que sabe as falhas de quem se deixou agarrar. Lembro-me, hoje, como se tivesse sido ainda agora, da tua mão na minha, coberta de conforto e companhia. Só mas nunca sozinha, e sempre com o cheiro do jasmim atrás de ti. Ficou-me entranhado na pele, nas conquistas, nas dúvidas e em cada hora a que me chamam a decidir tudo ou mesmo nada. Neste alpendre onde o sol se vem deitar e onde o mundo parece outra vez tão pequeno e eu dentro dele a ganhar cor, voltas tu e aquelas manhãs de Inverno aquecidas pelo chá que fumegava em cima da mesa.
Já não sou tão pequena assim. Já não estás, embora o cheiro se mantenha o mesmo. Ficaram as canções da nossa vida, a tua mão na minha mesmo quando as duas ficaram do mesmo tamanho. Deixei que ficasses, quando tropeçaste. Só podia ser assim. Espero por ti no alpendre de sempre, mãe do coração. Todos os dias um bocadinho mais."

Escrevi este texto e publiquei-o no ido ano de 2007. Não é o que mais gosto, o mais bonito, bem escrito, não é por nenhuma dessas razões que aqui está de novo. Está porque foi ao olhar para ele que entendi que sempre me escrevi internamente sem saber. Nessa altura, vivia um estado de adormecimento grande, meia lunática, apaixonada, a descobrir os afectos que era coisa que, agora percebo, não me eram fáceis. Mas não sabia de mim metade do que hoje sei. Não fazia ideia porque era como era, porque me doíam partes de mim sem aviso. Ao olhar este texto, olhei também outros que já aqui publiquei e vi o que agora sei sobre mim, escrito às vezes na minha própria pessoa, muitas outras na pele de personagens que viviam dentro de mim. E entendo agora, claramente, que todas as personagens, histórias, sentimentos, desesperos, medos, vidas eram partes de mim que eu não conhecia ainda, embora as conseguisse sentir. Mas não as via como minhas, pelo menos a maior parte delas. É como se de repente tivesse podido subir nas alturas, ver-me lá de cima e compreender que tudo o que escrevi escondido na pele de outros sou eu, eram os meus medos, as minhas falhas, as minhas faltas e as minhas vontades. Escrevi o que era a minha vida e o que queria que fosse a minha vida. Escrevi-me e escrevi outras que existem dentro de mim e não se vêem. Outras vezes só criei a partir de outros, mas nunca o meu inconsciente falou tanto. Ver-me ao longe, consigo-o fazer agora. Na altura, tudo era desfocado, corriam sentimentos dentro de mim e que tinham que ser postos no papel porque não sabia o que fazer com eles.
E reparo, ao olhar o muito que escrevi, como o amor, o afecto, o que liga as pessoas ou as afasta são o meu fio condutor. E surpreendo-me por reconhecer em mim a capacidade de sentir isso tudo e de encontrar os outros, e o que sentem, com tanta facilidade. Como se sentisse na minha própria pele, sem nunca o ter aprendido, vivido ou sentido.